segunda-feira, 28 de julho de 2014

Poda da Videira

A poda é uma operação que subsiste no corte de algumas varas da videira. Existem dois tipos de poda: a de inverno (poda lenhosa), efetuada quando a videira não tem folhas e a de verão (poda em verde), que decorre quando a videira está em atividade. A poda de inverno é a principal forma de controlar a produção da videira e a poda de verão serve, sobretudo, para cortar as partes que ocultam os cachos da videira.  
A poda é fundamental para que a varas não cresçam em demasia e evitam que estas fiquem muito finas. Sem a poda a produção da videira gerava cachos de bagos pequenos, pouco sumarentos e que amadureciam de forma irregular. Deste modo, o principal objetivo da poda é permitir uma produção regular e de qualidade, além de coordenar a função vegetativa da videira (crescimento das varas) com a função produtiva (produção de uvas).

Como Executar?
Qualquer corte na videira deve ser bem rente, liso e inclinado para facilitar o processo de caracterização. O diâmetro dos ramos cortados não deve ser muito alargado, pois a cicatrização é mais rápida quanto menor for o diâmetro do ramo cortado.

Nas varas os cortes devem executar-se com uma tesoura de poda e a um centímetro acima do gomo. Os ramos mais grossos devem ser cortados com um serrote e posteriormente alisados com uma navalha.


TIPOS DE PODA

Quanto à época:

• Poda Lenhosa – durante o período de repouso vegetativo
• Poda em Verde – durante o período ativo da videira

Quanto à finalidade:

 Poda de formação: Feita durante os primeiros anos e destina-se a preparar a videira à forma cultural escolhida;
 Poda de manutenção ou frutificação: Na fase adulta, visa um equilíbrio entre a parte vegetativa e produtiva da videira;
 Poda de recuperação ou rejuvenescimento: Em qualquer idade da vida da planta com o intuito de fornecer o equilíbrio perdido, quer pela idade, que por algum acidente, quer ainda por modificação do sistema de condução.

Quanto às dimensões das unidades de frutificação:

• Poda curta – ex.: poda Royat unilateral ou bilateral
• Poda mista – ex.: poda Guyot simples ou duplo
               • Poda longa




Épocas de Tratamentos em Vinha

Fases
da vinha:


Problemas:
Repouso
Vegetativo


Ponta
verde
Saída das
folhas
Folhas
Soltas
Cachos
visíveis
Cachos
separados
Botões florais
Separados
Floração
Alimpa
Bago de
chumbo
Babo de ervilha
Fecho dos
cachos
Pintor
Infestantes
Limpar infestantes
Escoriose

Folpet: Ftalimida
Fosetil de Alumínio: Fosfonato









Míldio



Cobre 35% (p/p) (sob forma de hidróxido de cobre) (Kocide 2000 – Kocide 35 DF)
Oídio


Enxofre 95% (p/p) (Cuperdem – Bago de Ouro – Heliosoufre S)

Podridão cinzenta










Podridão negra (Black Rot)





Traça da videira




Baccilus Thurigienses (Sequra) – Azaridactina (Align) – Spinosade (Spintor)
Cigarrinha verde








Sabão de Potássio (Jabon - Vitafixol)
Cigarrinha dourada








Sabão de Potássio (Vitafixol)
Algodão
O.V
(3-4 l/hl)
Óleo de Verão
(1,5 l/hl)



Óleo de Verão (Fitanol)
Cochonilhas
O.V
(3-4 l/hl)









Óleo de Verão
Sabão de Potássio
Ácaros
O.V
(3-4 l/hl)

Azaridactina (Align)
Sabão de Potássio



Azaridactina (Align)
Sabão de Potássio
Adubações foliares

Alga Ecklonia maxima (Basfoliar Kelp)

Classificação dos Fungicidas

Superfície ou contacto

Dividem-se em inorgânicos (fungicidas cúpricos) e orgânicos (químicos de síntese). São essencialmente preventivos. Protegem apenas os órgãos tratados durante 7 a 10 dias. Não protegem os órgãos formados após os tratamentos. Após uma chuvada (mais de 20 mm) as aplicações devem ser renovadas. 


Penetrantes

Penetram no interior dos tecidos. Não são arrastados pelas chuvas. Têm alguma mobilidade dentro da planta mas não protegem os órgãos formados depois dos tratamentos. São preventivos nos 12 dias seguintes e curativos nos 3 a 4 dias após o tratamento. 


Sistémicos

Penetram no interior dos tecidos das plantas. Não são arrastados pelas chuvas. Protegem os órgãos formados após tratamento. Têm uma persistência de ação de 14 dias.


Tratamento anual da vinha

Janeiro
Para novas videiras: Mergulhar a vide em água, podar a raiz e enterrar o bacelo.
Para as existentes: Limpar as cepas até ao início das raízes principais, descascando-as à mão ou com raspadores para o efeito, pincelar ou pulverizar com caldas ferro-cálcidas ou oleosas. Desinfetar as videiras que foram atacadas pelas cochonilhas ou pelo algodão.  

(Prejuízo: As cochonilhas sugam a seiva da videira podendo, em ataques muito fortes causar desfoliação precoce das cepas e mesmo o seu enfraquecimento, se os ataques se derem em anos sucessivos. Devido à secreção de melada açucarada é vulgar ocorrer o enegrecimento das cepas e órgãos atacados devido à instalação de um fungo – fumagina – e o aparecimento de formigas. Esta situação associada à presença do algodão, típico desta praga, desvaloriza a uva de mesa. Fonte: http://www.syngenta.com).

Fevereiro
Prosseguir com as fertilizações iniciadas no mês anterior. Reparar bardos, lateiros e ramadas, substituindo ou endireitando os esteios e esticando ou consertando os arames. Iniciar a enxertia, utilizando castas apropriadas, nos locais abrigados. Cortar as raízes que surjam por cima da soldadura do enxerto.

Março
Conclusão da poda nas zonas mais frias e nas regiões mais atreitas a geadas tardias. Prosseguir as enxertias com as castas mais apropriadas, recorrendo às coleções oficiais por oferecerem garantias para a obtenção de garfos. Combate às nóctuas e aos pulgões com os produtos para o efeito. Início dos tratamentos quinzenais contra o míldio e o oídio com sulfate de cobre e enxofre, respetivamente.
Abril
Proceder à adubação das vinhas cansadas. Prosseguir, quinzenalmente, com os respetivos tratamentos contra o míldio, oídio e outros inimigos das videiras.
Maio
Continuam os tratamentos quinzenais contra o míldio e o oídio, devendo prestar-se a maior atenção a qualquer elevação de temperatura acompanhada de humidade, que pode provocar rápido desenvolvimento de fungos.
Junho
Este é um dos meses mais críticos para a vinha do ponto de vista da sua sanidade. O míldio, se ataca, pode destruir a produção pela invasão dos cachos, que faz cair e abortar. E o oídio se o tempo é favorável, não mais os abandona até que pinta o bago. A calda cúprica ou as caldas de fungicidas orgânicas de síntese continuam a aplicar-se preventivamente; o enxofre usa-se curativamente, quando o oídio se manifesta.

O esladroamento (eliminação dos ramos ladrões que surgem posteriormente à poda de inverno)  deve proceder a desfolha, porque às vezes a eliminação de um ladrão, ou mamão basta para evitar o corte das folhas; os ladrões não aproveitados para formar varas de poda, são quebrados normalmente com o polegar e o indicador, e nunca esgarçados.
Julho
Ainda se fazem enxofras e sulfatadas, efetuadas consoante as necessidades.
Se além do calor próprio da época também caírem chuviscos, ou houver névoas, as curas repetem-se amiudadas vezes. Desfolhar em volta dos cachos, não deixar que estes fiquem expostos à incidência direta dos raios solares.
Empar os bardos nas ramadas ou latadas, não cortar as pontas das varas para não comprometer a atividade das videiras.
Agosto
Executar a desparra, que não deve ser excessiva, para que a maturação das uvas se faça nas melhores condições. Não deixar de tratar e inspecionar os excertos, amarrando-os, esladroando-os e, até se necessário, regando-os. Manter, ainda, a vigilância contra a possível ocorrência de ataques do míldio e do oídio, prosseguindo com os tratamentos adequados.
Setembro
Desfolhar com cuidado se a maturação das uvas ainda estiver atrasada. Marcar, antes da colheita, as melhores cepas para o fornecimento dos garfos para as enxertias.
Outubro
Continuar os trabalhos de vindima; é aconselhável, à medida que se vai vindimando, marcar as cepas mais produtivas e sãs, que servirão para o fornecimento de garfos.
Novembro
Escavar para a retenção das águas as chuvas e das folhas caídas.
Abrir e limpar valas e regos para dar escoamento aos excessos de água durante o Inverno.
Plantar, em terra bem repassada pelas chuvas, barbados enxertados ou bravos.
Começar a podar nos sítios menos frios.
Dezembro
Continuar a podar nas vinhas já despidas de folhagem, reservando para enxertia ou mergulha as vides sãs e com produção mais regular.
Proceder à fertilização e meter mato nas entrelinhas das vinhas cansadas, de preferência polvilhado com gesso ou cal.

As doenças nas vinhas:

TRATAMENTOS FITOSSANITÁRIOS:

Os tratamentos fitossanitários devem garantir as videiras sãs até à queda natural das folhas. Estes consistem numa luta incessante contra os acidentes e os inimigos da vinha, cujos danos são por vezes tão importantes que afetam não só a produção, que pode ser alterada ou destruída, como também a perenidade da planta. Assim podemos falar de:

a) Acidentes e doenças não parasitárias

São acidentes de ordem climática, como geadas, queima, granizo, vento. As doenças fisiológicas são sobretudo provocadas por carências das plantas em minerais como o ferro e o cobre, e temos ainda a considerar o desavinho. Os tratamentos passam pela aplicação de sulfato de ferro e de cobre quer no solo, quer nas folhas das videiras.


b) Doenças causadas por vírus

As viroses são doenças infecciosas que por vezes passam despercebidas, pois nem sempre manifestam sintomas fáceis de identificar. Os vírus vivem nas células (daí que sejam parasitas) das plantas contaminadas, provocando perturbações que levam a uma alteração das aptidões da planta: diminuição da quantidade de produção e também da sua qualidade, enfraquecimento e envelhecimento prematuro das vinhas, entre outros. Os vírus mais conhecidos são os vírus do nó-curto e o do enrolamento. Uma vinha criada com plantas doentes ou num solo contaminado não pode ser tratada. Os meios de luta são preventivos, isto é, é preciso plantar garfos e porta-enxertos saudáveis num solo saudável. Após o arranque de uma vinha doente, os nemátodos, vetores (transmissores) do nó-curto, ainda vivem durante alguns anos nos restos de raízes deixados no terreno, podendo contaminar a nova vinha. Assim, deve deixar-se o solo em repouso pelo menos cinco anos depois do arranque, precedido de uma surriba e da eliminação o mais completa possível das raízes ou então, deve proceder-se à desinfeção do solo com a ajuda de nematicidas (produtos químicos que provocam a morte aos nemátodos).

c) Doenças criptogâmicas

Míldio: O míldio da vinha é uma doença originária da América, provocada pelo fungo Plasmopara viticola e observada pela primeira vez em França por Planchon, em 1878. O sintoma mais típico ocorre nas folhas, com o aparecimento da conhecida "mancha de óleo", na página superior. A seguir, surge na página inferior das folhas, uma pubescência branca, na zona correspondente a essas manchas. O ataque dos cachos traduz-se pela deformação dos mesmos, podendo até secar completamente, aparecendo então a típica pubescência branca. Para além das qualidades exigidas a qualquer substância de tratamento (eficácia, facilidade de manuseamento, baixo preço de custo), os produtos antimíldio devem ser persistentes, portanto, quimicamente estáveis. Os produtos que se utilizam desde há muito tempo são constituídos à base de cobre. A calda bordalesa é constituída por uma solução de sulfato de cobre neutralizada por cal apagada fresca. Depois da Segunda Guerra Mundial surgiram produtos orgânicos de síntese que permitem simplificar a preparação e a execução dos tratamentos. Dentro destes destacam-se os organos-cúpricos, que consistem em produtos orgânicos de síntese combinados com o cobre e que apresentam maior persistência de ação.

Oídio: O oídio da videira (também conhecido por poeira, cinzeiro ou mal branco) apareceu em França em 1845 e deve-se a um fungo, o Uncinula necator, que se desenvolve em todos os órgãos verdes. As folhas mais jovens aparecem com um aspecto esbranquiçado que pode também aparecer nos ramos. Nos bagos em desenvolvimento aparece a tal pubescência, a pele fendilha e acaba por estalar. O enxofre foi o primeiro produto utilizado na luta contra o oídio e, atualmente, continua a aplicar-se como o mais eficaz e o mais económico. Hoje em dia, dado o enxofre ser sobretudo um produto preventivo, existem vários produtos orgânicos que possuem um poder curativo.

Podridão cinzenta: A podridão cinzenta é uma doença criptogâmica provocada pelo fungo Botrytis cinerea. Este fungo é responsável pela podridão cinzenta que é a forma mais grave e que afeta os bagos de uva, durante o período húmido, entre o vingamento e a maturidade; mas também pela podridão nobre, que se manifesta em período de sobre-maturação, em determinadas condições climáticas e que é procurada para a elaboração de vinhos licorosos especiais. Os métodos de luta baseiam-se sobretudo em produtos químicos ou fungicidas que atuam como métodos curativos.

d) Doenças bacterianas

Necrose bacteriana: Ou doença de Oléron, da videira. Esta doença foi descrita em 1895 por Ravaz, baseando-se em observações feitas na ilha de Oléron, que deu o nome à doença. A doença desenvolve-se em núcleos e só se manifesta em determinadas circunstâncias relacionadas com o clima, o solo, a sensibilidade das castas e com as técnicas culturais. Prefere solos pobres, pouco férteis e ácidos. Os métodos de luta são principalmente preventivos, de modo a evitarem a criação de núcleos, e são constituídos à base de cobre.

e) Parasitas animais e Pragas Filoxera

Lagarta ou Traça dos Cachos: Tratam-se de lagartas ou larvas de duas pequenas borboletas: Cochylis (Clysia ambiguella) e Eudémis (Lobesia botrana), sendo esta última a mais representativa no nosso país. Na Primavera as lagartas perfuram e devoram os botões florais, que envolvem previamente com filamentos sedosos, formando uma espécie de "ninhos" nos cachos. Mais tarde atacam os jovens bagos que se dessecam e apodrecem. Quando os bagos estão já desenvolvidos e no início da maturação, o inseto perfura-os. Os ataques de traça são uma das causas mais frequentes da infeção e desenvolvimento da podridão cinzenta. Estas espécies têm normalmente 3 gerações por ano e preferem temperaturas entre 20º C e 25º C e alguma humidade.

Cicadela ou Cigarrinha Verde: Pequeno inseto sugador, Empoasca flavescens, pertencente à família dos cicadelídeos. Pica as nervuras das folhas até aos vasos condutores, nos quais se alimenta. A saliva tóxica do inseto provoca a obstrução dos canais e, consequentemente, a interrupção da circulação da seiva. Nas castas brancas as folhas ficam com manchas amareladas enquanto que nas tintas, estas tomam a coloração vinosa. As folhas atacadas secam e caiem, conduzindo a quebras quer na produção quer no grau alcoólico. Sobretudo importante no Alentejo e, mais recentemente, no Douro, Oeste e Ribatejo, esta espécie pode ter 3 gerações num ano.

Cochonilhas: São pequenos insetos picadores-sugadores, que podem atacar vários órgãos da planta, originando, por vezes, estragos importantes. A espécie mais representativa é o Planococcus sp., conhecida por cochonilha-algodão, por se envolver por um enfeltrado algodonoso. As larvas das cochonilhas absorvem a seiva da planta e os órgãos atacados podem acabar por secar. A cepa enfraquece e a frutificação fica afetada. Podem ter diversas gerações por ano, dependendo das condições ambientais.


Despampa ou Esladroamento:
Consiste na supressão de ramos ladrões, não produtivos e ainda rebentações duplas e triplas (varas de finas, tenras e verdes). O objetivo é o de evitar que a videira tenha um coberto vegetal demasiado denso, ou seja, um exagerado número de folhas. Pois caso a videira possua uma incomportável quantidade de folhas, a distribuição do alimento vai ser mais ampla, o que apresenta consequências negativas quer a nível de iniciação floral (nasce um menor número de flores), fertilidade (diminui), quer a nível da qualidade da colheita.

Desparra ou Desfolha
É uma prática que é suscetível de modificar a qualidade da vindima. A desfolha é corretamente utilizada nas vinhas que se vocacionam para a produção de vinhos brancos licorosos. Consiste em suprimir as folhas ao nível dos cachos durante o período de maturação. Esta prática reduz a área foliar e modifica a idade média da vegetação.
A manipulação do coberto através da desfolha tem sido utilizada para melhorar a qualidade dos frutos, evitar o desenvolvimento das doenças, facilitar a vindima e a aplicação de produtos fitossanitários. Assim, a desfolha de um número variável de folhas da base dos sarmentos tem como fim melhorar a qualidade, sendo realizada quase sempre durante a maturação dos cachos. Mas uma desfolha muito intensa ou muito precoce parece ser muito prejudicial à qualidade por reduzir a produção de açúcares do cacho ou por uma muito forte exposição dos bagos em julho e agosto, que poderá "queimá-los".


Fonte: http://www.adegaalmeirim.pt/curiosidades-doencas-nas-vinhas.php